Estudo de suas influências, tipos e metodologias de exorcismo e apotropia.
+ Definições: demonologia, angelologia negativa e espiritualidade humana
+ Demonologia como campo da Teologia Sistemática
+ Abordagem protestante vs. modelos místicos/magisteriai
+ Natureza da criação invisível
+ Ontologia dos anjos e demônios (seres pessoais, não-materiais)
+ Boa criação, queda e conflito escatológico
+ Figuras demoníacas (como shedim, se'irim, azazel, serpente/dragão)
+ O mal espiritual nas literaturas sapienciais e proféticas
+ Intertestamental: Qumran, Henoc 1, Jubileus
+ Demônios nos Evangelhos e Atos
+ Cristo e a vitória sobre os poderes hostis
+ Teologia paulina das potestades (archai, exousiai)
+ Apocalíptica e batalha escatológica
+ Jerônimo, Atanásio, Justino, Irineu, Orígenes, Crisóstomo, Agostinho
+ Demonologia como defesa apologética e ordem eclesial
+ Práticas e percepções do ‘encarceramento do mal
+ Tomás de Aquino: ontologia demoníaca
+ A recepção agostiniana na Idade Média
+ Demonologia popular vs. erudita na Idade Média
+ Lutero e a realidade espiritual
+ Calvino: soberania divina, limites da demonologia
+ Puritanos e discernimento espiritual
+ Razões protestantes para evitar rituais mágicos de expulsão
+ Personalidade, intelecto, vontade e moralidade
+ Limites ontológicos e limites impostos pela Providência
+ Estruturas simbólicas (exércitos, potestades, principados)
+ Atuação: tentação, acusação, engano, opressão
+ Diferença entre “posse” na literatura e “escravidão espiritual
+ Vulnerabilidade humana
+ Queda, pecado, depravação e responsabilidade humana
+ Discernimento pastoral (espiritual, psicológico, psiquiátrico)
+ Hermenêutica espiritual reformada
+ Disciplinas espirituais e vigilância
+ Distinção entre sofrimento emocional e linguagem de opressão espiritual
+ Diretrizes prudenciais: ética, limites, proteção pastoral
+ Escuta, diagnóstico pastoral responsável; encaminhamento; tratamento teológico; práticas litúrgicas de cuidado
+ Judaísmo Rabínico
+ Cristianismo oriental, católico e protestante
+ Islamismo —os jinn
+ Contribuições históricas e desvios teológicos
+ Superstições, misticismos e demonização cultural
+ Os perigos do imaginário mágico-religioso moderno
+ O papel da comunidade, limites éticos e legais, conduta pastoral e confidencialidade
+ Centralidade de Cristo e da Palavra
+ Oração de petição e súplica
+ Guerra espiritual como “perseverança na fé” (não como rituais)
+ Psicologia da Crença em Espíritos
+ Fenomenologia das Experiências Religiosas
+ O risco do sensacionalismo e da demonização do outro
+ A missão como libertação integral,
+ O Evangelho como poder libertador
+ Responsabilidade social vs. espiritualidade individualista
+ Limites do Conhecimento, Linguagem e Explicação do Mal Espiritual
+ Representações do Mal Espiritual na Arte Cristã
+ Demonologia e a questão da responsabilidade jurídica
+ Demonologia, poder e violência simbólica
+ O monaquismo antigo
+ O caso de Loudun (1632–1637)
+ Os julgamentos de Salem (1692)
+ Casos missionários coloniais
+ Mesopotâmia
+ Egito antigo
+ Mundo greco-romano
+ Demonologia Ugarítica e Persa
O estudo da demonologia, quando conduzido de forma responsável, bíblica e teologicamente orientada, não se presta à curiosidade sensacionalista nem à construção de mitologias religiosas paralelas ao Evangelho. Ao contrário, integra-se organicamente à doutrina da criação, da queda, da redenção e da consumação, servindo como instrumento auxiliar para compreender a realidade do mal à luz da soberania divina, da obra de Cristo e da esperança escatológica. Este material propõe uma abordagem ampla, crítica e pastoral da demonologia cristã, situada no interior da teologia bíblica, histórica e sistemática, com especial atenção à tradição reformada.
Desde seus fundamentos cosmológicos, a Escritura apresenta o mal não como princípio autônomo ou força rival a Deus, mas como realidade contingente, derivada e limitada. A demonologia bíblica emerge nesse horizonte, vinculada à boa criação, à queda das criaturas racionais e ao conflito escatológico que atravessa a história da salvação. O Antigo e o Novo Testamento não constroem uma taxonomia especulativa dos seres espirituais, mas utilizam linguagem funcional, relacional e narrativa para descrever a oposição ao propósito divino e a progressiva manifestação do Reino de Deus.
No Novo Testamento, a demonologia alcança seu ponto de maior clareza cristológica. Os Evangelhos e Atos apresentam os demônios não como protagonistas autônomos, mas como elementos narrativos subordinados à autoridade de Cristo, cuja presença inaugura a derrota dos poderes hostis. A teologia paulina aprofunda essa compreensão ao articular categorias como archai e exousiai, situando o conflito espiritual no âmbito cósmico, ético e comunitário, sempre sob a supremacia do Cristo exaltado. A literatura apocalíptica, por sua vez, enquadra essa tensão dentro da esperança escatológica, evitando tanto o fatalismo quanto o dualismo.
A história da doutrina revela que a demonologia sempre cumpriu funções apologéticas, pastorais e disciplinares. Na patrística, autores como Justino, Irineu, Orígenes, Atanásio, Jerônimo, Crisóstomo e Agostinho desenvolveram reflexões que, embora diversas, convergiam na rejeição do maniqueísmo e na afirmação da soberania divina. Durante a Idade Média, a sistematização escolástica — especialmente em Tomás de Aquino — conferiu precisão ontológica ao tema, ao mesmo tempo em que conviveu com expressões populares marcadas por imaginários simbólicos e práticas devocionais. A Reforma protestante promoveu uma reorientação crítica da demonologia, reafirmando sua realidade, mas restringindo seus excessos especulativos e ritualistas à luz da Escritura.
No desenvolvimento sistemático, este material examina a natureza, os atributos e os limites dos seres demoníacos, sempre enfatizando sua condição criada, moralmente decaída e ontologicamente subordinada à providência divina. A atuação demoníaca é analisada em termos bíblicos — tentação, engano, acusação e opressão — com clara distinção entre categorias teológicas e construções literárias ou culturais. Particular atenção é dada à relação entre demonologia e antropologia, evitando tanto a demonização da responsabilidade humana quanto a redução do sofrimento espiritual a categorias exclusivamente psicológicas.
O eixo pastoral e missional do curso reafirma que o discernimento espiritual exige prudência, ética e competência interdisciplinar. A tradição reformada, ao privilegiar a centralidade da Palavra, da oração e da vida comunitária, rejeita abordagens mágicas ou coercitivas da chamada “guerra espiritual”, compreendendo-a antes como perseverança na fé, maturidade cristã e resistência às estruturas do pecado. Nesse contexto, a demonologia torna-se instrumento de cuidado pastoral, e não de controle religioso.
Por fim, o material dialoga criticamente com a modernidade e a pós-modernidade, considerando contribuições da psicologia da religião, da fenomenologia das experiências religiosas e da análise cultural. Reconhece-se o risco do sensacionalismo, da demonização do outro e da espiritualidade individualista desvinculada da responsabilidade social. A missão cristã é apresentada como libertação integral, na qual o Evangelho se manifesta como poder restaurador de pessoas, comunidades e estruturas, testemunhando a vitória de Cristo sobre todo mal.
Assim, esta obra propõe uma demonologia cristã sóbria, bíblica, historicamente informada e pastoralmente responsável. Longe de ampliar o medo ou a superstição, seu objetivo é fortalecer a fé, esclarecer o discernimento e orientar a igreja a viver, anunciar e encarnar o senhorio de Cristo em um mundo marcado por conflitos espirituais reais, porém definitivamente subordinados ao Deus que reina.
Th.M. (Mestre em Teologia)
Teólogo protestante de tradição calvinista, escritor independente, bibliófilo e fundador das escolas de ensino remoto: SacraTeologia (matriz) e Monasterium (subsidiária).
Mestre/Autor e Curador à disposição da Universidade Leonardo da Vinci (Uniasselvi) e do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), instituições pelas quais presta serviço como redator em Saberes e Práticas do Ensino Religioso e Educação Cristã (elaborando material didático para Ciências da Religião e Teologia).
Obteve o grau de bacharel em Teologia Avançada pela FTB - Faculdade Teológica de Betesda (2022) e o titulo de Mestre em Teologia Pastoral pela FAINTE - Faculdade de Integração Teológica (2023). Recebeu a concessão de credenciamento para o exercício de Capelão pela IEVI - Instituto Educacional Videira (2023).
Sob a modalidade MOOC, logrou certificações em Cristologia pela IPE - Instituto Propósitos de Ensino (2023a) e em Dogmática Luterana (Comentários de Lutero e Artigos de Esmalcalde) pela ULBRA - Universidade Luterana do Brasil (2023a);
Na PUCV - Pontificia Universidad Católica de Valparaíso - pelo Miriadax - cursou abordagem apologética: contra o avanço do ceticismo em "Visión Cristiana 13ªed." (2023a) e contra o avanço de seitas e bruxaria em "Sectas y propuestas preocupantes 2ªed." (2023a).
Pelo Coursera, aplicou-se em História da Igreja, explorando: A Era das Catedrais e Perseguição da Fé Cristã na YALE University (2023b), A Reforma de Calvino na Université de Genève (2023b) e Lutero e o Ocidente na NorthWestern (2023b). Pela University of Colorado com apoio da Universidad Complutense Madrid tomou noções em Codicologia Medieval (2023b).
Introduziu-se em Filosofia pela University of Edimburgo (2024a), aprofundando-se em Filosofia Clássica pela University of Pennsylvania (2024a).
Possui certificações de caráter livre no âmbito de Ciências Humanas como Filosofia, História e Literatura pelo IFRS - Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Também se aplicou a noções de Ciências Sociais para o oficio de Bibliotecário, Arquivista, Museólogo e Jurista Religioso (Direito e Liberdade Religiosa) pela EV.G. - Escola Virtual do Governo (Atestação ENAP - Escola Nacional de Administração Pública).
Estudou diretrizes para o exercício de docência em Ciências da Religião para o Nível Fundamental, norteado pela BNCC - Base Nacional Comum Curricular e ratificado pela SEB - Secretaria de Educação Básica.
Foi editor de "Confitentes Fiden Nostram - Credos, Confissões e Catecismos" - Obra qual, dispõe o compilado das maiores expressões históricas da religião cristã.